
Há quem diga que um dia tem vinte e quatro horas.
O meu só tem vinte, nove são para dormir, três são para refeições.
As restantes doze são para ti.
Esses dias acabam irremediavelmente por acabar. Sempre me considerei um ser com uma admirável capacidade de adaptação mas talvez não seja bem assim. Talvez a minha admirável capacidade seja a de adaptar os outros a mim, uns mais resistentes que outros mas é rara a excepção de não levar a minha avante. Os que me conhecem melhor, como tu, acabam por notar esta maneira de conquistar por uma única razão: a sede é tanta que o inconsciente não quer só adaptação, quer a transfiguração completa para o que sou. Ainda vais a tempo de fugir.